
por Leandro Resende Gomes
ConcluídoLeandro Resende Gomes
Riffable Creator
Sinopse
Uma aventura entre os primos.
Agradecimentos
Beatriz, Giovana e Matheus.
Dedicatória
À família Carneiro.
Participaram deste livro
Publicado em 22 de julho de 2026 · Riffable


Era uma vez três meninas. O sonho delas era ir ao reino dos doces porque os pais não deixavam elas comerem muito doces. Então um dia quando elas acordaram viram uma fada, que fez uma bolha para elas entrarem e ir ao reino dos doces. Quando elas chegaram lá viram um monte de doces, pirulitos, balinhas e todos os doces do mundo. Elas comeram tudo antes do tempo acabar. Quando chegaram em casa elas ficaram felizes por terem comido tantos doces.

No dia seguinte, dois meninos, João Paulo e Matheus, encontraram as três meninas rindo baixinho na varanda. Curiosos, perguntaram por que elas cheiravam a açúcar e caramelo. As meninas contaram tudo sobre a fada, a bolha e o reino dos doces. Mas então a fada apareceu de novo, com o rosto preocupado: comer todos os doces de uma vez havia quebrado um feitiço antigo, e agora o reino inteiro começava a derreter. Se os doces sumissem, nunca mais nenhuma criança poderia sonhar com eles. — Só cinco corações corajosos podem consertar isso — disse a fada, olhando para os cinco.

Então a fada disse que eles tinham que subir a montanha dos doces e pegar os cinco diamantes: o roxo, o vermelho, o rosa, o verde e o azul. Mas cada diamante escondia um enigma, e só quem o decifrasse conseguiria arrancá-lo da montanha.
— O diamante roxo pergunta o que é doce, mas nunca se come — explicou a fada. — Os outros vocês descobrirão lá em cima.
A montanha erguia-se ao longe, feita de camadas de chocolate e algodão-doce que já começavam a escorrer, moles como cera ao sol. João Paulo engoliu em seco. Matheus apertou a mão de Giovana, a menina mais nova. E as cinco crianças, de mãos dadas, deram o primeiro passo na encosta pegajosa.

Cada diamante tinha uma dica escondida.
— Tem um desafio logo ali — disse Matheus, apontando para frente.
Quando chegaram lá, viram um monte de doces cercando o caminho: paredes de biscoito empilhadas até o céu, gotas de mel escorrendo como cola, torres de marshmallow moles demais para segurar o peso de qualquer criança. Não havia como passar por baixo nem pelos lados. Eles precisavam escalar.
Beatriz, a mais velha das três meninas, firmou o pé numa saliência de um biscoito gigante e puxou-se para cima. Lá no alto, meio escondido entre nuvens de algodão-doce, algo cintilava roxo.
— O que é doce, mas nunca se come? — sussurrou Beatriz, lembrando do enigma da fada.

Carol, a menina do meio, tinha um martelo para eles escalarem a montanha dos doces. Ela fincava a ponta nas paredes de biscoito e abria degraus para os outros subirem. Um por um, agarraram-se às saliências em que Beatriz havia passado. Eles ficavam escorregando no mel, mas não soltavam as mãos.
Quando chegaram lá no outro lado, Beatriz continuava franzindo a testa por causa do enigma.
— O que é doce, mas nunca se come? — repetiu ela.
Foi João Paulo quem arregalou os olhos, como se a resposta tivesse escapado sozinha.
— Um sonho! — disse ele. — Um sonho é doce, mas ninguém morde um sonho.
No mesmo instante, o algodão-doce se abriu, e o diamante roxo desprendeu-se da montanha, caindo redondo e brilhante na palma da mão de Giovana.
Mas então, mais acima, uma segunda luz piscou — vermelha, e muito mais longe.

— É o diamante vermelho! — disse Carol.
— Vamos lá — disse Matheus. — Temos uma jornada longa.
Depois de caminhar muito, eles avistaeam o segundo desafio. No meio do caminho, dezenas de chocolates falantes andavam de um lado para o outro, barrando a passagem.
— Tem vários chocolates falantes que se mexem — disse João Paulo.
— Precisamos passar por eles — disse Carol. — Mas como?
— Gente, eu tive uma ideia — disse João Paulo.
— Qual? — perguntou Beatriz, cruzando os braços, desconfiada.
— Vamos fazer um lanche.
Os chocolates estremeceram todos ao mesmo tempo, e um deles, o maior, deu um passo à frente.

— Boa ideia! — disse Beatriz, sorrindo.
— Então, ataquem! — gritou Matheus para as meninas.
E as cinco crianças avançaram sobre os chocolates falantes, dando mordidas rápidas, rindo enquanto os pedaços se debatiam e depois se rendiam, docinhos e crocantes. Um a um, os chocolates foram sumindo, até o caminho ficar livre.
Quando terminaram de comer, Giovana olhou em volta e disse:
— Gente, vamos!
— Não — falou Carol, apontando para o céu. — Já está anoitecendo. Melhor a gente dormir.
Bem no alto, o diamante vermelho continuava piscando, longe demais para alcançar antes do escuro. As crianças fizeram uma cama de algodão-doce e se deitaram, de mãos ainda dadas.
Mas, no meio da noite, Beatriz acordou com um barulho estranho vindo da montanha.

Em seguida, Matheus acordou assustado, esfregando os olhos.
— O que foi? O que aconteceu? — perguntou, a voz ainda embargada de sono.
— Ouvi um barulho — sussurrou Beatriz, apontando para o cume. — Vinha lá da ponta da montanha.
Matheus levantou-se devagar, olhando para o alto onde o diamante vermelho piscava.
— Então vamos escalar até lá — disse ele. — Precisamos ver o que é.
Sem acordar os outros, os dois subiram pela encosta pegajosa, agarrando-se às saliências de biscoito. Quando terminaram de escalar, o ar cheirava a caramelo queimado. E ali, enrolado sobre a rocha de chocolate, estava um dragão inteiro feito de pirulito vermelho, as escamas brilhando como vidro.
Beatriz recuou, o coração aos pulos.
— Precisamos de uma espada — disse ela, tremendo. — Uma espada de doce, Matheus, rápido!
Matheus juntou pedaços de açúcar endurecido e moldou uma lâmina fina e afiada. Entregou-a a Beatriz. E ela, reunindo toda a sua força, cravou a espada no dragão, que se despedaçou num estalo doce.
O dragão soltou um rugido tão alto que acordou todos lá embaixo. Foi então que uma pedra começou a brotar do chão, no lugar exato onde o dragão havia caído — o diamante vermelho.

Um vento de baunilha soprou de repente, e a montanha estremeceu.
Do topo de uma torre de biscoito, uma figura foi ganhando forma: um mago inteiro feito de chocolate escuro, o chapéu pontudo escorrendo em fios grossos, os olhos dois círculos dourados que brilhavam no escuro. Ele descia flutuando, e a cada movimento pingava calda quente sobre as rochas.
O mago de chocolate ergueu os braços derretidos e sua voz ecoou pela montanha:
— Para levar o diamante vermelho, respondam: sou vermelha e redonda, cresço no pé de doçura, todo mundo me deseja, mas quem me morde faz careta de amargura. O que sou?
As crianças se entreolharam. Giovana coçou a cabeça, Matheus mordeu o lábio, e Carol ficou com água na boca só de pensar.
— Uma maçã do amor! — gritou Beatriz de repente. — Por fora é doce e vermelha, mas quem morde fundo prova o azedinho!
O mago sorriu, e uma poça de calda escorreu de seu rosto.
— Correto, corajosos.
O diamante vermelho brilhou forte e pulou para a mão de Carol. Mas, ao longe, entre montanhas de gelatina, uma nova luz surgiu — rosa e trêmula.

— Ainda temos muito caminho pela frente — disse Carol, depois de pularem por um bom tempo subindo uma encosta feita de gelatinas.
— Minhas pernas estão doendo — reclamou Matheus.
— As minhas também — disse João Paulo, torcendo o rosto de dor.
Giovana parou e apontou para as costas.
— Nas minhas mochilas tem umas coisas pra gente amarrar e escalar, em vez de pular.
Ela abriu a mochila e tirou cinco cordas enroladas, uma para cada um. Amarraram as pontas nas saliências de caramelo, firmaram os nós e começaram a subir. Escalaram e escalaram, com as mãos grudentas de calda, sem soltarem as cordas.
Quando finalmente chegaram ao topo, uma luz piscava muito forte no meio das montanhas de gelatina.
— É rosa! É o diamante! — disse Beatriz, sorrindo.
— Então vamos lá! — disseram todos juntos.
Mas, ao se aproximarem, a luz rosa se apagou de repente, e uma sombra fofa se levantou no caminho.

Era um algodão-doce gigante, do tamanho da Beatriz.
— O que vamos fazer? — falaram todos.
— Precisamos lutar — disse Matheus. — Então vamos amassá-los, esmagá-los e pular entre eles!
Um por um, os algodões-doces foram cedendo, moles e pegajosos sob os pés das crianças. Quando sobrou só o último, o mais forte de todos, os cinco pularam juntos e o esmagaram no chão.
— Já dá para ver a luz! — gritou Giovana.
— É logo ali na frente! — disse Carol.
João Paulo, Matheus e Beatriz correram atrás, sem soltar as mãos. O diamante rosa brilhava sobre um pedestal de goma, mas antes de tocá-lo uma voz melosa saiu de dentro dele.
— Para me levar, decifrem: estico, estalo e nunca acabo, quanto mais me mastigam, maior eu fico. Não me engula, ou fico grudado na sua garganta. O que sou?
As cinco crianças se entreolharam, mastigando o ar sem querer.

— Um chiclete! — gritou João Paulo, batendo palmas. — Estica, estala e gruda, mas nunca some da boca!
A voz melosa deu um risinho comprido, e o diamante rosa saltou reto para as mãos de Beatriz.
— Faltam só dois! — disse Giovana, apertando o diamante contra o peito.
Mais adiante, a montanha se abria numa caverna escura. As paredes eram de Kit Kat, camadas e camadas de wafer empilhadas, que estalavam sozinhas de vez em quando, como se a caverna respirasse.
— Está escuro aí dentro — sussurrou Carol.
— Mas o caminho é por ali — disse Matheus. — Vamos juntos.
De mãos dadas, entraram na penumbra doce. O chão rangia sob os pés. Foi então que, do fundo da caverna, dois olhos grandes se acenderam devagar. Uma tartaruga enorme avançou se arrastando lentamente. Seu casco inteiro era feito de waffle dourado, quadradinho por quadradinho, ainda quente e cheirando a mel.
A tartaruga parou diante deles e esticou o pescoço comprido.
— Verde é o diamante que guardo aqui — disse ela, num vozeirão lento. — E só passa quem responder o que vou perguntar.

A tartaruga fechou os olhos devagar, o pescoço balançando de um lado para o outro. As crianças esperaram. E esperaram. O casco de waffle subia e descia num ritmo tão lento que parecia respiração de quem cochilava.
— Ela dormiu? — sussurrou Giovana.
— Acho que sim — disse Carol, na ponta dos pés.
Mas, no instante em que Matheus deu um passo à frente, os dois olhos grandes se abriram de repente, e o vozeirão trovejou pela caverna:
— Sou geladinho e derreto se demorar. Venho em bola, em palito, em mil sabores. Quanto mais o sol me olha, mais depressa me perco. O que sou?
As crianças se entreolharam, tremendo de frio só de pensar.
— Um sorvete! — gritou Beatriz com água na boca.
A tartaruga soltou um suspiro lento e satisfeito. O casco brilhou, e do meio dos quadradinhos de waffle rolou o diamante verde, direto para as mãos de João Paulo.
— Falta só o azul! — disseram todos eles em coro.
Lá no fundo da caverna, uma última luz começou a piscar, azul e gelada.

As crianças seguiram luz adentro, e a cada passo o ar ficava mais cortante, espetando o rosto delas como agulhas geladas.
— Está muito frio — tremeu Giovana, batendo os dentes.
— Espera — disse Beatriz. — Vovó Dione guardou umas mantas na mochila de cada um!
E era verdade. Dentro de cada mochila havia uma manta quentinha e macia. As cinco crianças se enrolaram nelas e continuaram.
Logo chegaram a uma ponte estreita, feita de palitos de picolé encaixados um no outro. Lá embaixo, um rio de frozen de limão corria, verdinho e gelado, soltando fumacinha fria. De mãos dadas, atravessaram devagar, os palitos rangendo a cada passo.
Do outro lado, abria-se um salão enorme bem no centro da caverna, todo forrado de gelo brilhante.
— Chegamos — sussurrou Carol.
Mas, de repente, uma bola de sorvete gigante despencou do teto e caiu com um estrondo diante deles. Devagar, ela ganhou forma: dois olhos frios se abriram.
— Vocês! — trovejou ela, a voz estalando como neve. — Foram vocês que comeram tudo e fizeram meu reino inteiro começar a derreter!
As crianças se encolheram nas mantas, sem saber o que dizer.

João Paulo respirou fundo e deu um passo à frente, largando a manta dos ombros. Era o mais velho, e sabia que era hora de alguém falar.
— Foi a gente, sim — disse ele, com a voz firme, assumindo a responsabilidade de toda a situação. — A gente comeu tudo sem saber, e isso foi errado. Mas não fugimos. Estamos aqui há dois dias, escalando esta montanha, enfrentando dragão, mago e tartaruga, sem soltar as mãos, só para consertar o que quebramos. Já temos quatro diamantes. Só falta o seu.
A bola de sorvete gigante o encarou longamente, o vapor gelado escorrendo pelos seus flancos.
— Coragem — trovejou ela, mais baixo agora. — Coragem de assumir o erro e de trabalhar sem descanso para repará-lo. Isso eu respeito!
Os olhos frios se estreitaram, brilhando como duas luas de gelo.
— Então ouçam meu enigma, o último de todos. Nasço do leite fervido devagarinho, dourado e grudento, e quanto mais tempo cozinho, mais fico caramelado. Corto em pedaço ou passo no pão. O que sou?
As cinco crianças se entreolharam como se todos eles tivessem lembrado da mesma coisa: as inúmeras férias passadas na fazenda do tio Miron, com toda aquela comida deliciosa, em especial o doce de leite da tia Edma.

— Doce de leite! — gritaram os cinco ao mesmo tempo, as vozes se misturando numa só.
A bola de sorvete gigante fechou os olhos e sorriu.
— Correto, corajosos.
E o diamante azul, gelado e brilhante, saltou do meio dela direto para as mãos de Matheus.
Os cinco diamantes agora estavam com eles: roxo, vermelho, rosa, verde e azul. As crianças esperaram. E esperaram. Mas nada aconteceu. A montanha continuava escorrendo, o reino continuava derretendo.
— Não entendi — disse Carol. — Pegamos todos. Por que nada mudou?
Foi então que um brilho suave encheu o salão, e a fada apareceu no meio deles, flutuando devagar.
— Fada! — disse Beatriz. — Fizemos tudo o que você pediu! Por que o reino ainda está derretendo?
A fada apenas sorriu.
— Olhem bem dentro dos seus diamantes — disse ela, baixinho. — Com muita atenção.
As crianças aproximaram os diamantes dos olhos. E cada uma, no fundo do brilho, viu nitidamente uma criança pequenininha.
João Paulo viu seu irmão Daniel. Matheus viu seu primo Bernardo. Beatriz viu seu irmão Bento. Carol viu seu primo Davi. E Giovana viu sua irmã Clarice, sorrindo lá de dentro.
— Cuidem muito bem deles — sussurrou a fada. — De cada um.

As crianças estavam felizes e preocupadas ao mesmo tempo. Contaram nos dedos: Davi, Daniel, Bernardo, Bento e Clarice. Cinco. Mas eles eram cinco, e ao todo dez. Então faltava alguém do lado de dentro do brilho, alguém que não aparecera em diamante nenhum.
A fada percebeu a perplexidade e inclinou a cabeça.
— O que houve? — perguntou, baixinho.
— Não está todo mundo aqui — disse Giovana, a voz miudinha. — Falta uma.
A fada sorriu, e o sorriso dela era o sorriso de quem sempre esteve por perto.
— Eu acompanhei o caminho todo de vocês, de longe — disse ela. — Cada passo na montanha, cada enigma, cada mão que vocês não soltaram. E vocês não perceberam ainda quem eu sou?
O brilho ao redor dela tremeluziu, as asas se recolheram devagar, e o rosto foi ganhando um contorno conhecido, de risada fácil e olhos travessos.
— Lara! — gritaram os cinco de uma vez.
Era a prima Lara. Todos eles a abraçaram ao mesmo tempo!

No instante em que os onze primos se abraçaram, os cinco diamantes brilharam juntos numa luz que se espalhou por toda a caverna. As paredes de gelo pararam de escorrer. Os rios de frozen voltaram a congelar, as torres de biscoito se firmaram, e o algodão-doce cresceu de novo, fofinho e inteiro. A montanha inteira estremeceu, mas dessa vez de alegria: o reino dos doces estava salvo.
Lara girou no ar, radiante.
— Vocês conseguiram! — disse ela. — Todos juntos, sem soltar as mãos.
Os onze primos riam e pulavam, felizes por estarem reunidos de novo. Foi então que uma bolha grande e reluzente desceu devagar do teto, brilhando em todas as cores dos diamantes, pronta para envolvê-los e levá-los de volta para casa.
Um por um, começaram a entrar. Mas Beatriz parou na beirada da bolha.
— Gente... a gente não pode comer uns docinhos antes de ir?
Todos se viraram para ela ao mesmo tempo, de sobrancelhas erguidas. Beatriz riu sem graça, deu de ombros e entrou correndo na bolha.
Fim!
Parabéns por ter concluído esta leitura. Aproveite para compartilhar essa conquista com seus amigos.
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